Meus queridos e queridas, a partir de agora esse blog muda de endereço. Vai pra junto de sus hermanitos, os blogues do Cuenca, da Cecília Gianetti, do André de Leonis e do Daniel Galera, que também estão pelo mundo tentado descer na estação certa do metrô e bolar uma história de amor. O endereço é: http://blogdoantonioprata.blogspot.com/
Continuem entrando e deixando seus comentários, que me dão força para levantar da cama de manhã e continuar a engolir sapos por aí. Beijos!
Escrito por Antonio às 13h44
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Meu negócio é a queratina e ninguém tem nada com isso
Quando eu me vi tão longe de casa, senti uma coisa assim, que vem de dentro, difícil de explicar. Uma liberdade inédita, como se agora, do outro lado do mundo, pudesse me dedicar a meus desejos mais profundos, sem a pressão da família e da sociedade.
Vocês devem saber: minha mãe é escritora. Meu pai é escritor. Meu padrasto é escritor. Até minha avó, que era educadora e cozinheira, virou escritora de uns tempos para cá. Só entrei nessa de literatura -- agora sei -- por causa de uma educação liberal muito opressora. Fui sufocado por aquele ambiente arejado, de modo que só agora, na China, tive a distância suficiente para ver o que sempre esteve diante de meus olhos: o que eu sempre quis foi ser cabeleireiro.(Ah, como é linda essa palavra, como as vogais se espraiam no ar -- ei, ei! -- tais quais melenas hidratadas ao vento matutino!).
Pronto, falei! Não vou mais esconder a verdade de ninguém. Troquei a caneta pela tesoura e não há nenhuma vergonha nisso. E vejam só como a velocidade do crescimento econômico chinês é inacreditável. Cheguei quinta retrasada. No primeiro fim de semana tive essa espécie de chamado e descobri que minha missão na terra era cortar cabelos. Semana passada fiz um curso rápido. Segunda-feira o governo me deu um empréstimo, terça abri minha rede de salões Tony Studio e hoje ganhei meu primeiro milhão de dólares. Como diz minha querida Isabelle: estou tãããão feliz! Vejam só os cartazes, que lindos que ficaram.

Escrito por Antonio às 08h26
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Viela
Antes que as enormes torres de vidro brotassem do chão, Xangai era uma cidade ocupada principalmente pelos Nongtangs. O significado literal é viela, mas os Nongtangs são um tipo de moradia que pode ser descrito basicamente como quarteirões cheios de casas geminadas e com ruas internas. Mistura de arquitetura chinesa e ocidental, essa forma de moradia ainda sobrevive por aqui. Às vezes, ao lado de um baita shopping, você entra numa portinha e pronto, está numa vida interiorana, onde velhinhos jogam majong, mulheres lavam roupas, vizinhos conversam.
Os Nongtangs, hoje subdivididos, são moradia de gente pobre, espécie de cortiço, mas na sua origem alguns eram bem chiques. Mao, meu amigo, morou a infância toda em um deles, numa casa em estilo inglês, com lareira, despensa e o escambau. Mao, o presidente, tinha uma casa (secreta) num desses quarteirões mais elegantes da Concessão Francesa. Até o anos 50, 80% da população de Xangai morava dessa forma.
Hoje fui com Wenjian e Helen em dois deles. Wenjian estuda arquitetura e Helen inglês, na faculdade de Tongji. Eles me explicaram que essas construções tradicionais estão com os dias contados. Está tudo vindo abaixo para a construção da nova cidade. Wenjian disse isso com alguma pena. Apesar de serem quase cortiços, esse tipo de construção permite uma espécie de sociabilidade impossível num prédio. Uma versão chinesa de Onde está Wally tinha que incluir um Nongtang. Você vê uma mulher fritando carne de porco ao lado de outra que lava fraldas, enquanto uma velha costura, uns senhores jogam majong, crianças passam correndo e gatos e galinhas podem ser vistos vivendo em aparente harmonia. Por todo lado há uma quantidade absurda de objetos antigos que você não sabe bem se foram abandonados ou se ainda servem para algo. (Aliás, a quantidade de cacarecos aqui em Xangai é impressionante. Por todo o canto há coisas: um banco de bicicleta, um motor de sei lá o que, bottons do Mao sobre uma toalha, um computador sendo consertado por um sujeito acocorado...). (Continua abaixo)
Escrito por Antonio às 08h00
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Saindo do Nongtang roots, onde vimos “a vida como ela é” (ou era), fomos para Xiantiandi (novo mundo). O governo tirou os moradores de lá, reformou tudo e transformou em lojas e restaurantes para estrangeiros. Assim como o Pelourinho, em Salvador, La Boca, em Buenos Aires e provavelmente muitos outros lugares ao redor do mundo. Um pouco da “cara local”, sem nenhum morador local e uma fila de alemães e americanos que viajaram vinte horas para tomar um sorvete Haagen Daz e comprar uma jaqueta Tommy Hilfinger do outro lado do mundo. Vai entender.
Talvez Xiantiandi seja, em poucos anos, o único resquício do que já foi a cara da cidade.

Interior de um Nongtang roots.

Nongtanga melhorzinho e prédios modernos de fundo, mais uma da "série contrastes".

Turista húngara ataca Homem-aranha indefeso em Xintiandi ,o Nongtang de botique.
Escrito por Antonio às 07h54
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Entrei numas de textura.
Escrito por Antonio às 06h59
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Há diversas modalidades de cócoras na China. Essa é a famosa "executive coffe break cocorinha".

Embora não se veja, eis aí uma legítima cocorinha telefônica.

Homem-aranha, sem sucesso, investe numa marketeira cocorinha de boa-vizinhança...

E eu também confesso que andei treinando, longe da vista dos pessoal.
Escrito por Antonio às 06h43
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Última moda em Xangai é combinar a camiseta com as cores da bala.
Escrito por Antonio às 06h41
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Aqui a televisão de cachorro tem uma programação um pouco diferente.
Escrito por Antonio às 06h40
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Nanjing Road. Essa é a rua onde tentam te empurrar watches, t-shirts, ladies... A frase salvadora é "Bu Yao! Bu yao" (bravo), que significa não quero! Não quero!
Escrito por Antonio às 06h39
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Camera de 7.2 Mega Pixels. 1 GB de memória. Pouco uso. Único dono. Preço negociável. Tratar pelo blog.
Escrito por Antonio às 14h57
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Entretido com sorvete de limão, próxima encarnação de Buda reflete sobre os impactos da publicidade sobre a China.
Escrito por Antonio às 14h53
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"O Brasil é um país de contrastes". "O Brasil é o país do futuro". Acho melhor a gente ir atrás de outros slogans.
Escrito por Antonio às 14h48
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Com crescimento de 12% ao ano, chineses investem em puxadinhos.
Escrito por Antonio às 14h44
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Pearl Tower, outra belezura do Pudong da Mironga do Caburetê, vista de cima de Jinmao Tower.
Escrito por Antonio às 14h41
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Jinmao Tower, o maior prédio de Xangai. Ao lado tão construindo outro brutamontes. Aquela luz bíblica lá em cima é dos holofotes presos aos guindastes.
Escrito por Antonio às 14h38
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